O CCMAR continua a reforçar a sua colaboração com o programa IMBRSea, através do EMBRC, acolhendo um grupo de estudantes internacionais para estágios de curta duração em vários grupos de investigação e instalações centrais. Estas experiências não só proporcionam oportunidades de formação valiosas aos estudantes, como também destacam o papel dos
investigadores e das equipas do CCMAR na orientação e no apoio à próxima geração de cientistas marinhos.
Durante este período, oito estudantes do IMBRSea estiveram no CCMAR, a trabalhar em diferentes áreas temáticas, incluindo ecologia marinha, restauração, biologia das alterações climáticas, aquicultura e instalações de apoio à investigação.
Investigação prática em biologia marinha e alterações climáticas
Inseridas no grupo de Endocrinologia Comparativa e Biologia Integrativa (CEIB), Leila Kopplin e Axelle de Boeck passaram seis semanas a trabalhar sob a supervisão de Zélia Velez. Os seus estágios centraram-se nos efeitos do aumento da temperatura dos oceanos no desenvolvimento embrionário dos tubarões-gato, simulando cenários climáticos futuros e condições extremas.
As estudantes destacaram a oportunidade de adquirir experiência prática no manuseamento de animais vivos e em técnicas laboratoriais avançadas, incluindo imagiologia microscópica, colheita de amostras de sangue e coloração fluorescente. Para além das competências técnicas, salientaram também a importância de trabalhar num ambiente de investigação internacional e inclusivo, bem como a relação de orientação próxima com a sua supervisora.
Ambas as estudantes descreveram a sua experiência como altamente formativa, particularmente no que diz respeito à compreensão das realidades da investigação marinha experimental e das suas dimensões éticas.
Restauro marinho e biodiversidade dos ecossistemas
O destaque para a restauração marinha ficou a cargo de dois estudantes, Manuela Cristaldi e Leonardo Fusaro, que trabalharam no âmbito do projeto RestoreSeagrass, sob a supervisão de João Neiva e Duarte Frade.
A sua investigação explorou a biodiversidade dos leitos de ervas marinhas restaurados e comparou os habitats artificiais com os ecossistemas naturais, com o objetivo de avaliar o seu potencial como substitutos ecológicos. O trabalho combinou amostragem de campo, análise laboratorial e identificação de espécies, oferecendo uma introdução abrangente à ciência da restauração aplicada.
Ambos os estudantes destacaram o valor da aprendizagem no terreno, incluindo a participação em mergulho científico, bem como a natureza colaborativa e internacional da equipa de investigação. Referiram ainda o equilíbrio entre a independência e a orientação proporcionada pelos seus orientadores, o que lhes permitiu desenvolver competências tanto técnicas como organizacionais.
Ecologia experimental e investigação sobre a recuperação das algas marinhas
Noutro estágio centrado na restauração, Eric Schuster, Melissa Piselli e Jan Lennartz integraram a linha de investigação «Restore Kelp», sob a supervisão de Luís Barreto e Gareth Pearson inseridos no grupo BEE.
O seu trabalho contribuiu para a otimização das técnicas de restauração da Laminaria ochroleuca, com foco em protocolos experimentais para o cultivo de gametófitos e a propagação de algas marinhas. Isto incluiu a conceção de experiências em laboratório, técnicas de esterilização e a utilização de sistemas de incubação especializados.
Os estudantes relataram ganhos significativos em termos de confiança em laboratório e proficiência técnica, particularmente em métodos de ecologia experimental, microscopia e utilização de equipamento de laboratório essencial. Destacaram também a atmosfera colaborativa e de apoio dentro da equipa, que facilitou a aprendizagem e a experimentação independente.
Para além dos grupos de investigação,
o CCMAR acolheu também Robert Tornow nos departamentos de Imagem e Comunicação, sob a supervisão de Carina Monico e Andreia Sofia Pinto.
O seu estágio proporcionou-lhe contacto com um vasto leque de atividades, incluindo imagem por microscopia, visualização científica e projetos relacionados com a comunicação. Ao trabalhar em diferentes equipas, contribuiu tanto para tarefas operacionais diárias como para resultados criativos, tais como a produção de imagens científicas e de vídeo.
Esta experiência interdisciplinar proporcionou uma visão sobre o papel das instalações centrais no apoio à investigação em todo o Centro, ao mesmo tempo que desenvolveu competências transferíveis nas áreas da imagem, produção de meios de comunicação e comunicação científica.
Uma experiência de aprendizagem partilhada
Em todos os estágios, os estudantes destacaram consistentemente a importância da orientação, da colaboração internacional e da aprendizagem prática. Embora as competências técnicas variassem entre disciplinas, desde a embriologia e a ecologia de restauração até à imagiologia e à aquicultura experimental, a experiência partilhada no CCMAR caracterizou-se pela interação estreita com os orientadores e as equipas de investigação. Estes estágios não só contribuíram para o desenvolvimento académico e profissional dos estudantes envolvidos, como também reforçaram o papel do CCMAR enquanto ambiente de investigação colaborativo e orientado para a formação.
Ao acolher estudantes do IMBRSea em várias áreas de investigação, o CCMAR continua a reforçar os seus laços com o programa e a apoiar o desenvolvimento de futuros profissionais das ciências marinhas através de experiências de investigação integradas e orientadas para o mundo real. Gostaríamos de expressar um agradecimento especial a Robert Tornow por ter recolhido as entrevistas e o material fotográfico que tornaram esta reportagem possível.




