Conservação do cavalo-marinho
Conservação do cavalo-marinho
Um ícone da Ria Formosa
No coração da Ria Formosa, encontrávamos nos finais dos anos 90 a maior população de cavalos-marinhos do mundo. No entanto, nas últimas duas décadas, os cavalos-marinhos que vivem nestas águas enfrentaram um declínio perigoso, com os seus números a caírem uns impressionantes 90%. Actualmente, na Ria Formosa, os cavalos-marinhos de nariz comprido e de nariz curto estão atualmente em perigo crítico de extinção.
Estas criaturas cativantes, com a sua aparência delicada, enfrentam uma série de ameaças causadas pela atividade humana, desde o ruído perturbador dos motores dos barcos até ao enredamento acidental nas artes de pesca e à pesca ilegal. Para além disso, o seu habitat outrora tranquilo foi perturbado e as pradarias de ervas marinhas que os rodeiam estão também agora ameaçadas pela degradação e construção costeira.
Estes habitats também necessitam de proteção, uma vez que servem de importantes âncoras para os cavalos-marinhos, proporcionando camuflagem, presas e locais de reprodução. As pradarias de ervas marinhas fazem parte de um ecossistema que suporta uma grande variedade de espécies, pelo que é vital proteger estes habitats e toda a biodiversidade marinha que suportam.
Unir a conservação à investigação
Para enfrentar estes desafios, uma equipa dedicada de investigadores do CCMAR estuda incansavelmente a ecologia dos cavalos-marinhos e compreende os meandros das necessidades e vulnerabilidades do seu habitat, identificando as ameaças antropogénicas.
Na estação do Ramalhete, os cavalos-marinhos encontram refúgio através de programas pioneiros de reprodução, enquanto os cientistas realizam estudos destinados a compreender o que poderá estar a causar o declínio da população e a apoiar a gestão sustentável dos habitats dos cavalos-marinhos.
Projectos de investigação sobre cavalos-marinhos:
Capacitar a conservação através da educação
A nossa missão não se esgota na investigação. Reconhecendo o poder do conhecimento para inspirar a mudança, a nossa equipa no CCMAR leva a nossa ciência às comunidades, aos educadores e aos decisores. Através de uma série de iniciativas de divulgação, desde diálogos em sala de aula a visitas de estudo imersivas, trabalhamos para uma sociedade consciente.
Para capacitar os educadores na incorporação dos conceitos do ecossistema das ervas marinhas e da biologia dos cavalos-marinhos nos currículos escolares e cativar o interesse dos alunos, realizamos sessões abrangentes de formação de professores complementadas por visitas de campo imersivas. Através de diálogos interactivos e workshops, promovemos a troca de conhecimentos entre decisores, conservacionistas, representantes dos media e empresas de turismo marinho que operam na região da Ria Formosa.
Defender a conservação com as autoridades
Os nossos esforços vão para além do laboratório e das viagens de campo, uma vez que trabalhamos com as autoridades locais e globais para defender medidas de conservação baseadas em dados e na ciência, e para colaborar na implementação de práticas de gestão sustentáveis.
Trabalhando em parceria com as autoridades marinhas e os organismos regionais de conservação, foram delineadas determinadas áreas protegidas na Ria Formosa, que proporcionarão abrigo aos cavalos-marinhos. Neste sentido, foi elaborado um plano de salvaguarda para os cavalos-marinhos da Ria Formosa - Delimitação de áreas de refúgio, em colaboração com a Autoridade Marítima Nacional - Capitania do Porto de Faro e Olhão - - e a Direção Regional da Conservação da Natureza e Florestas do Algarve.
Além disso, o nosso compromisso com a conservação dos cavalos-marinhos vai além das palavras e passa à ação, demonstrando a nossa abordagem prática à conservação. Ao implementar ativamente as nossas iniciativas, tais como a transplantação de ervas marinhas e os programas de reintrodução de cavalos-marinhos, estamos a dar passos decisivos para restaurar o habitat e a população da Ria Formosa, outrora prósperos.

