Num estudo publicado recentemente demonstrou-se ser possível produzir células imunitárias, com potencial terapêutico, de forma mais eficiente, segura e económica — um avanço que pode acelerar o acesso a novas terapias contra doenças como o cancro.
As terapias celulares estão entre as abordagens mais promissoras no tratamento do cancro. No entanto, continuam a enfrentar um desafio crítico: produzir células em quantidade suficiente, com qualidade consistente e a um custo viável.
O estudo publicado em Fevereiro deste ano no jornal Scientific Reports, dá um passo importante para ultrapassar esse obstáculo, ao demonstrar uma forma mais eficiente de expandir, em meio laboratorial, células NK (natural killer) a partir de sangue do cordão umbilical.
Estas células fazem parte do sistema imunitário e têm a capacidade natural de reconhecer e destruir células tumorais sem necessidade de “treino” prévio. Por isso, são consideradas uma das grandes apostas da imunoterapia de próxima geração, incluindo estratégias como as terapias designadas CAR-NK (chimeric antigen receptor natural killer cells).
A equipa, onde se inclui Pedro Fonte, investigador do CCMAR, avaliou diferentes meios de cultura utilizados para multiplicar estas células fora do organismo, focando-se em sistemas “feeder-free” — ou seja, sem necessidade de células de suporte adicionais. Esta abordagem permite a redução de riscos de contaminação, a simplificação do processo e também facilita a transição para ambientes clínicos e industriais. Os resultados mostraram que é possível alcançar uma forte expansão celular mantendo a capacidade das células de atacar alvos do foro tumoral.
Um dos aspetos mais relevantes do estudo é a análise de custo-efetividade, um fator decisivo, já que o preço elevado continua a ser uma das principais barreiras ao acesso às terapias celulares.
Ao simplificar e otimizar a produção de células NK derivadas de sangue do cordão umbilical, este trabalho aproxima a investigação da realidade clínica.
Mais do que um avanço laboratorial, representa um passo importante para tornar as imunoterapias mais acessíveis, sustentáveis e escaláveis — com potencial impacto no futuro, em termos de tratamento de doenças oncológicas.




