Durante os últimos quatro anos e meio, durante a sua tese de doutoramento, Francisca Félix dedicou-se a resolver um dos maiores desafios na reprodução de linguado senegalês em aquacultura: os problemas reprodutivos dos machos nascidos e criados em cativeiro. Estes problemas têm levado à dependência da captura de machos selvagens, uma prática insustentável devido ao impacto ambiental negativo e à ameaça que representa para os recursos marinhos.
“Cabe-nos a nós, cientistas e futuros líderes da área, encaminhar a investigação no sentido de melhorar as práticas atuais e estabelecer boas bases de produção responsável”, partilha a investigadora. Com esta motivação e preocupação ambiental, Francisca focou-se nos ritmos biológicos dos animais e descobriu que é possível recolher gâmetas masculinos com melhor qualidade, de forma natural e não-invasiva, se estes forem recolhidos durante o pico de produção de melatonina, à noite. Esta descoberta, fundamentada na cronobiologia e fisiologia animal, não só é aplicável ao linguado senegalês, mas também pode beneficiar outras espécies em aquacultura.
Os resultados desta investigação têm implicações tanto para a ciência como para a indústria. Na área científica, as metodologias desenvolvidas podem ser utilizadas para identificar e solucionar problemas reprodutivos em diversas espécies. Para a indústria, a melhoria na qualidade dos gâmetas masculinos promete aumentar o sucesso das fertilizações em cativeiro, contribuindo para uma produção mais eficiente e sustentável.
Apesar do apoio crucial do CCMAR, a nível de orientação e acesso a equipamento de ponta, bem como da grande equipa que Francisca integrou, as colaborações com empresas de aquacultura e entidades que trabalham com stocks de linguado selvagem, como a Aqualvor em Lagos, o IFAPA em Cádiz, IEO em Santander e o IPMA, foram, para Francisca, indispensáveis. “Arrisco-me a dizer que as colaborações estabelecidas durante a tese foram fulcrais para o seu sucesso. Só neste ambiente sinérgico será possível vir a solucionar os diversos problemas existentes na aquacultura”, explica a investigadora. Estas parcerias permitiram-lhe realizar amostragens em condições reais e contar com o suporte de uma equipa dedicada, mesmo em horários noturnos desafiantes.
Agora, com a tese concluída e quase 7 artigos publicados, damos os parabéns a Francisca por esta conquista notável - que não só avança o conhecimento científico, mas também promove práticas mais sustentáveis e responsáveis na indústria de aquacultura.
Para mais detalhes sobre a investigação de Francisca, veja os seus artigos publicados aqui.
*A tese de Francisca Félix foi cofinanciada e desenvolvida em parceria com a Universidade de Múrcia, que, por sua vez, disponibilizou a sua expertise e as suas infraestruturas.



