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peixinho
small-scale fisheries
internationalisation

Como encontram as larvas de peixe o caminho até aos habitats onde vão crescer? E como podem as alterações do oceano afetar este percurso e as comunidades que dependem da pesca? Estas perguntas ligam investigadores do Algarve às comunidades da Colômbia e de São Tomé e Príncipe, no âmbito do projeto Finding Home.

A ligação entre as três regiões nasceu do interesse em estudar ciclos de vida semelhantes e perceber como estes se relacionam com as pescarias locais. 

Em São Tomé e Príncipe, o ponto de partida é o “peixinho”, designação associada a peixes do género Sicydium, que inclui espécies endémicas do arquipélago e constitui um recurso importante para as comunidades piscatórias. 
Na Colômbia, existe também uma espécie deste género, conhecida localmente como “pez tití”. Embora sejam espécies distintas, têm um ciclo de vida semelhante, oferecendo uma oportunidade para comparar diferentes regiões e aprofundar perguntas científicas comuns.

A aproximação entre o CCMAR e os parceiros colombianos começou a ganhar forma no Fórum do Mar, em Faro, e foi impulsionada pela descoberta de Alexandra Teodósio que, após uma visita à Universidad del Magdalena, voltou com a notícia de que o “pez tití” também era pescado na Colômbia.


Entre 15 e 25 de setembro, as investigadoras Vânia Baptista e Giulia Zeri viajaram até à Colômbia para reforçar a colaboração com a Universidad del Magdalena, em Santa Marta, e a Universidad Simón Bolívar, em Barranquilla. A visita permitiu aproximar as equipas, visitar infraestruturas, testar métodos de recolha de informação e preparar futuras campanhas conjuntas.

peixinho

Para estes peixes, a vida desenrola-se entre ambientes diferentes. Os adultos vivem nos rios, mas as larvas seguem para o mar, onde passam uma primeira fase do seu desenvolvimento. Mais tarde, têm de encontrar o caminho de regresso à água doce, até aos habitats onde irão crescer e desenvolver em adultos. Esta viagem depende de várias condições ambientais e da capacidade de orientação e natação das larvas. 

Se alguma etapa falhar, menos juvenis poderão chegar aos habitats adequados, comprometendo a renovação das populações. Esta questão tem consequências diretas para as comunidades que dependem da pesca. 

Compreender estes processos é, por isso, importante não só para conhecer a biologia destas espécies, mas também para perceber o que condiciona a disponibilidade futura de peixe e construir uma base científica mais sólida para a gestão das pescas.
 

Na região de Santa Marta, na Colômbia, o trabalho começou junto das comunidades que dependem destes recursos. As investigadoras reuniram-se com pescadores artesanais para testar questionários sobre a atividade piscatória e a qualidade de vida local, integrando o conhecimento das comunidades na investigação.

Uma das saídas de campo decorreu durante a noite, no mar perto da entrada do rio. Com a colaboração de pescadores locais, a equipa utilizou armadilhas de luz para atrair e recolher larvas de peixe. De regresso ao laboratório de zooplâncton e ictioplâncton da Universidad del Magdalena, as amostras foram observadas e analisadas, um passo essencial para estudar os primeiros estádios de vida destes animais.

O trabalho na Colômbia abre caminho à comparação entre regiões do Atlântico com espécies e contextos ambientais distintos. No Finding Home, as equipas estudam as capacidades sensoriais e de natação das larvas, a influência de fatores ambientais, incluindo o aquecimento e a acidificação dos oceanos, e a forma como estes processos condicionam a chegada aos habitats onde os peixes crescem. 
 


Financiado pelo FLAD Science Award – Atlantic 2024, o projeto dá continuidade a uma linha de investigação que procura ligar o conhecimento sobre a biologia dos peixes a ferramentas úteis para a conservação dos ecossistemas costeiros e a sustentabilidade das pescarias. Ao aproximar equipas científicas e comunidades locais, pretende contribuir para que esse conhecimento possa apoiar decisões de gestão adaptadas à realidade de cada região.