Cientistas, organizações da sociedade civil, empresas ligadas ao mar e cidadãos lançaram o “Manifesto de Milfontes – Pelo Futuro das Florestas Marinhas de Portugal”, um apelo à proteção urgente dos ecossistemas marinhos portugueses e à criação de uma Estratégia Nacional para a Biodiversidade Marinha com horizonte até 2040.
O manifesto foi desenhado e desenvolvido no âmbito da reunião científica: “Que futuro para as florestas marinhas de Portugal?”, realizada em Vila Nova de Milfontes, durante o passado fim-de-semana e enquadrada no Festival das Florestas Marinhas 2026. Este encontro reuniu especialistas de várias universidades e centros de investigação nacionais, organizações ambientais, representantes da sociedade civil e operadores ligados ao mar.
O documento, que conta com quase 80 signatários até agora, alerta para a degradação crescente das florestas marinhas portuguesas, incluindo pradarias marinhas, florestas de macroalgas, jardins de corais e esponjas e outros habitats biogénicos, ecossistemas essenciais para a biodiversidade, produtividade pesqueira, proteção costeira, regulação climática e resiliência ecológica do oceano.
Os subscritores sublinham neste Manifesto, o que a evidência científica internacional tem vindo a demonstrar: muitos ecossistemas marinhos podem ultrapassar limites ecológicos de não retorno, tornando a recuperação extremamente difícil, lenta ou mesmo impossível à escala temporal humana.
"O tempo para agir é agora. A prevenção da degradação é muito mais eficaz do que tentar restaurar ecossistemas após o seu colapso".
Além do Manifesto, o documento inclui um muito importante anexo com uma proposta de princípios orientadores para uma Estratégia Nacional para a Biodiversidade Marinha, assente numa visão integrada e de longo prazo baseada na melhor ciência disponível e amplamente apoiada pela comunidade científica nacional, sociedade civil e entidades ligadas ao mar.
Os promotores defendem que Portugal, detentor de uma das maiores zonas económicas exclusivas da Europa e de uma comunidade científica marinha de excelência internacional, reúne condições únicas para assumir uma liderança estratégica na conservação do oceano Atlântico.
O manifesto vai ser enviado ao Presidente da República, Governo, Assembleia da República, instituições científicas, autarquias, organizações da sociedade civil e outras entidades nacionais relevantes.

