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Marine Forests
Com mais de dois mil participantes, 60 atividades e 40 entidades nacionais, a 4.ª edição do Festival das Florestas Marinhas decorreu entre 13 e 22 de maio em Vila Nova de Milfontes. Um espaço de encontro entre ciência, arte, educação e comunidade resultou num manifesto para guiar a conservação destes ecossistemas nas próximas décadas.
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“Queremos que as pessoas saiam do festival com um sentido de responsabilidade e de contribuir para conservar estes ecossistemas, que são tão essenciais para sustentar a biodiversidade marinha na nossa costa para as gerações futuras”

said Ester Serrão, the festival’s scientific coordinator since its first edition.

O evento foi promovido pelo CCMAR (Centro de Ciências do Mar do Algarve), no âmbito do projeto Florestas Marinhas da Fundação Belmiro de Azevedo, em parceria com o Município de Odemira, o Colégio Nossa Senhora da Graça, a Junta de Freguesia de Vila Nova de Milfontes, a Universidade do Algarve, e com um grande número de outras organizações locais e nacionais de onde se destaca a fortíssima e marcante colaboração da Fundação Oceano Azul, e das Associações Cultivamos Cultura e Viridia.

Ao longo de mais de uma semana, o festival reuniu cientistas, estudantes, artistas, associações, pescadores, residentes e visitantes num programa multidisciplinar que incluiu exposições, workshops, documentários, experiências imersivas, passeios interpretativos, atividades náuticas, conversas, gastronomia, ações de sensibilização ambiental e uma reunião científica participativa dedicada ao futuro das florestas marinhas em Portugal. 
A forte participação de instituições académicas de todo o país, associações locais e nacionais, entidades locais e fundações nacionais e contribuiu igualmente para criar um ambiente de grande envolvimento coletivo e aproximação entre ciência e sociedade.

O Festival das Florestas Marinhas destacou-se pela forte mobilização da comunidade escolar e pelo contacto direto entre centenas de crianças e jovens e o mundo da ciência marinha. Estudantes, do ensino pré-escolar ao secundário, tiveram contacto direto com investigadores e educadores marinhos, exploraram corais, algas, ervas marinhas, grandes animais marinhos que deles dependem e áreas marinhas protegidas; experimentaram técnicas científicas e artísticas, participaram em experiências de microscopia, herbários de algas, jogos educativos e atividades imersivas com realidade virtual, reforçando a ligação entre conhecimento científico e literacia do oceano. Para muitas destas crianças, este terá sido provavelmente o primeiro contacto próximo com investigação científica marinha, uma experiência com potencial para marcar de forma duradoura a relação das novas gerações com o oceano.


A edição de 2026 destacou-se igualmente pela integração entre ciência e arte, que procurou aproximar o público dos desafios enfrentados pelo oceano através da expressão artística, combinando criatividade, sensibilização e conhecimento científico. A exposição coletiva “OceanArt 2026: Science to Art”, organizada pelo CCMAR e pela Universidade do Algarve, reuniu 13 artistas e mais de 20 obras de pintura, escultura e fotografia inspiradas no oceano e na biodiversidade marinha, contou com o endosso da Década do Oceano das Nações Unidas

O festival contou ainda com excelentes exposições de artistas diversos, como os painéis fotográficos sobre a apanha submarina de algas “Trabalho de Fundo” de João Mariano, obras das residências artísticas da associação “Cultivamos Cultura”, entre outras, que foram distribuídas por vários espaços de Vila Nova de Milfontes.

Mais do que um conjunto de atividades, o festival assumiu-se como uma experiência coletiva profundamente transformadora para muitos participantes. Ao longo dos dias, multiplicaram-se comentários espontâneos do público como “não fazia ideia que existiam corais em Portugal”, “isto devia existir para sempre” ou “nunca mais vou olhar para o mar da mesma forma”, refletindo o forte impacto emocional, educativo e cultural do evento.

Entre os momentos mais marcantes para o público estiveram as conversas com pescadores e outras pessoas ligadas ao mar, o debate sobre áreas marinhas protegidas, as atividades interpretativas no litoral rochoso e no rio Mira, os workshops de desenho de natureza e fotografia, a “Missão Praia Limpa”,  e a estreia do filme “Florestas Marinhas da Costa Portuguesa”.  A experiência imersiva dedicada ao Banco Gorringe, instalada num antigo depósito de água, teve também particular destaque, permitindo aos visitantes "mergulhar" virtualmente num dos ecossistemas marinhos mais extraordinários do Atlântico. Esta experiência foi amplamente referida pelo público como uma das mais memoráveis do festival.


Um dos pontos centrais da programação foi a reunião científica participativa “Que futuro para as florestas marinhas de Portugal?”. O debate reuniu investigadores, empresas, associações, profissionais do mar e cidadãos em torno de temas estruturalmente importantes e difíceis, como destruição de habitats, alterações climáticas, sobrepesca, restauro ecológico, cultivo de macroalgas, bioeconomia azul e conservação marinha. A conversa manteve sempre um tom construtivo e fomentou a aproximação entre conservação e sociedade.

A reunião culminou na elaboração do “Manifesto pelo Futuro das Florestas Marinhas de Portugal”, um documento subscrito por investigadores, profissionais, empresários, fundações, representantes institucionais e cidadãos, apelando à criação de uma estratégia nacional para as florestas marinhas portuguesas. O manifesto reforça a necessidade de integrar conservação, monitorização científica, restauro ecológico e utilização sustentável dos recursos marinhos, demonstrando que o festival conseguiu gerar uma mobilização real em torno da proteção destes ecossistemas
 

Com uma programação que cruzou educação, investigação, cultura e participação cidadã, o Festival das Florestas Marinhas contribuiu para a promoção da literacia do oceano e a criação de pontes entre a comunidade científica e a sociedade. A quarta edição reforçou também a importância de abordar os desafios ambientais de forma interdisciplinar, envolvendo diferentes públicos através da ciência, da arte e da experiência direta com o mar.