O CCMAR participa no WP5 (Vertical Algas), que envolve um total de 38 entidades, e visa dotar o setor das algas nacional de capacidade e vantagens competitivas necessárias, assentes em novos produtos, processos e serviços sustentáveis, para competir nos mercados globais e elevar a marca nacional na bioeconomia azul europeia. Mais especificamente, os objetivos deste WP são:
- Desenvolver processos produtivos mais sustentáveis e digitalizados, que resultem em aumento de produtividade e redução de custos;
- Desenvolver processos de colheita, secagem e transformação/biorrefinaria de biomassa mais sustentáveis, que aproveitem a biotecnologia azul para obter novos ingredientes e cadeias de valor de alto valor;
- Desenvolver aplicações inovadoras à base de algas para os mercados nutracêuticos e cosmecêuticos, refeições pré-preparadas e novos alimentos para consumo humano, novos alimentos funcionais para a aquacultura e o desenvolvimento de novas soluções agrícolas (ou seja, biofertilizantes, biopesticidas e estimulantes da microbiota);
- Avaliar os requisitos legais necessários para a aprovação dos novos produtos e processos e sua introdução no mercado.
Mais concretamente, o CCMAR está envolvido no Vertical Algas (WP5) na implementação de estratégias que visam o melhoramento de algas através de bioprospeção e geração de novas estirpes algais mais resistentes e com maior capacidade de produção. Uma segunda estratégia será o estudo do microbioma associado às algas com valor comercial. Além disso, será estudada a sua contribuição para a mitigação da libertação de gases de estufa para a atmosfera e outros impactos ambientais do cultivo de algas em Portugal e a sua utilização em produtos comerciais para a alimentação humana e animal e para a indústria de produtos biológicos marinhos. Serão ainda quantificados os processos de sequestro de carbono, azoto e fósforo pelos cultivos de algas nas unidades de produção, tendo em conta as especificidades de cada unidade, numa perspetiva de avaliar o potencial de biorremediação. Serão também quantificados os potenciais efeitos na acidificação, oxigenação e biodiversidade da zona costeira no caso das unidades de produção offshore de algas ou das unidades de produção que libertem efluentes para a zona costeira. Será também produzido um modelo conceptual da resposta das unidades IMTA a cenários simulados de alterações climáticas. No subprojeto 5 (SP5 - Feed) o CCMAR tem como objetivo desenvolver dietas funcionais para peixes incluindo extratos e/ou biomassa de algas com alta bioatividade para melhoria da robustez, performance e resistência dos peixes em diferentes estados do cultivo. Dentro deste objetivo o CCMAR irá investigar e selecionar biomassas de algas, os seus extratos ou combinações com base nas propriedades bioativas dirigidas à saúde intestinal dos peixes, melhorar a resposta imune e antioxidante e promover o crescimento. Assim como desenvolver microdietas funcionais para larvas de peixes que melhorem a sobrevivência, o crescimento, a robustez e a resistência a agentes patogénicos. Pretende, também, desenvolver dietas funcionais para juvenis de peixes que mitiguem os efeitos do stress crónico e agudo, aumentem a resistência a doenças e promovam o crescimento.
Para concretizar os objetivos e estratégias supracitadas, o CCMAR participará nas seguintes atividades no Vertical Algas:
- SP1b.1 – Implementação de unidades de produção (IMTA/DEMO) de macroalgas em terra
- SP1b.4 – Biorremediação e sustentabilidade das unidades de produção de macroalgas (IMTA/DEMO)
- SP1c.1 – Isolamento e caracterização de algas com valor nutricional melhorado
- SP1c.2 – Análise de microbiomas e contaminantes biológicos associados a algas
- SP1c.3 – Validação à escala piloto e industrial das algas melhoradas
- SP5 - Feed: Alimentos funcionais derivados de algas para melhoria da performance e saúde em aquacultura
Assim, com este projeto, espera-se obter novas estirpes de algas que potenciarão a atividade comercial das empresas produtoras envolvidas, criando novos produtos para um mercado competitivo à escala global. Esses produtos corresponderão a algas com maior capacidade produtiva devido a um melhoramento a nível genético, fisiológico e do próprio processo de produção. Além disso, um melhor conhecimento do microbioma associado às algas permitirá o design de novas estratégias para não só estimular o crescimento das algas, mas também para evitar o colapso de culturas ou perda de valor comercial devido a fenómenos como o epifitismo. A antecipação das respostas metabólicas dos sistemas IMTA face às alterações climáticas permitirá uma adequação e otimização dos sistemas a médio e longo-prazo, introduzindo um nível acrescido de previsibilidade e sustentabilidade na produção de macroalgas. Os novos produtos irão também englobar novas dietas funcionais à base de algas com um efeito positivo na robustez, performance e resistência a doenças em larvas e juvenis.