Um novo estudo internacional liderado pelo Centro de Ciências Marinhas (CCMAR) revela que a aquacultura marinha global — a fonte de frutos do mar que mais cresce no mundo — poderia permanecer amplamente resiliente às alterações climáticas se os países cumprissem a meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 1,5 °C.
O estudo, publicado na revista npj Ocean Sustainability, avaliou a exposição climática de 327 espécies de aquacultura marinha em todas as Zonas Económicas Exclusivas (ZEE) em três cenários climáticos futuros. Os resultados mostram um contraste marcante entre os caminhos sustentáveis e os de alta emissão.
No cenário alinhado com o Acordo de Paris (SSP1-1.9), mais de 40% das regiões marinhas do mundo permaneceriam totalmente imunes às mudanças climáticas prejudiciais, incluindo muitas das áreas de aquacultura mais produtivas da atualidade. Em contrapartida, em futuros com emissões mais elevadas, quase todas as regiões de aquicultura do mundo ficariam expostas a condições climáticas novas e potencialmente perturbadoras.
“Os nossos resultados mostram muito claramente que o Acordo de Paris não se trata apenas de proteger a natureza — trata-se de proteger os alicerces da segurança alimentar global”.
"Se conseguirmos cumprir as metas do Acordo de Paris, grande parte da aquacultura marinha mundial poderá continuar a operar em condições ambientais familiares e estáveis. Se não o fizermos, as alterações ambientais tornar-se-ão quase universais, obrigando a adaptações dispendiosas, relocalizações ou perdas de produção na maioria das regiões."
Atualmente, a aquacultura marinha fornece quase um terço de todos os produtos do mar consumidos globalmente e prevê-se que se torne a fonte dominante de produtos do mar até 2030. De acordo com o estudo, sob o aquecimento alinhado com o Acordo de Paris, as principais regiões produtoras na Ásia, Europa e América do Sul poderiam manter em grande parte a estabilidade climática necessária para as espécies cultivadas. No entanto, em cenários de altas emissões, mares semi-fechados como o Báltico, o Negro e o Vermelho, bem como regiões equatoriais, emergem como algumas das áreas mais severamente afetadas em todo o mundo.
As conclusões reforçam o papel do CCMAR na vanguarda da investigação internacional sobre sustentabilidade marinha e destacam como as decisões políticas climáticas tomadas hoje irão moldar não só os ecossistemas marinhos, mas também a disponibilidade e acessibilidade futura dos produtos do mar para milhares de milhões de pessoas em todo o mundo.
Referências:
- Mackintosh, A. L., Hill, G. G., Costello, M. J., & Assis, J. (2025). No significant projected climate change effects on the geographic ranges of marine aquaculture species under the sustainable scenario (SSP1-1.9, 1.5°C warming). npj Ocean Sustainability.




