Uma equipa internacional de investigadores demonstrou que os montes submarinos de coral de águas frias localizados no sul do Golfo do México armazenam quantidades significativas de carbono ao longo de escalas de tempo geológicas. O estudo, publicado na revista Coral Reefs, conta com a participação do CCMAR através da investigadora Lélia Matos, cujo trabalho anteriormente realizado formou a base científica desta nova avaliação, que evidencia o papel dos ecossistemas de mar profundo no ciclo (geológico) do carbono. Compreender a forma e os locais de armazenamento do carbono é fundamental para melhorar os modelos climáticos e aprofundar o conhecimento sobre o ciclo global do carbono. Embora os ecossistemas costeiros de carbono azul, como as pradarias marinhas, os mangais e os sapais, tenham recebido crescente atenção nos últimos anos, o contributo dos habitats do oceano profundo é ainda pouco conhecido.
O estudo centra-se nos montes de coral de águas frias da Província de Montes de Campeche, situada no sul do Golfo do México. Estas grandes estruturas do fundo marinho, formadas ao longo de centenas de milhares de anos por corais que formam recifes, funcionam como reservatórios naturais onde carbono orgânico e inorgânico se acumulam e permanecem armazenados durante milhões de anos.
Para investigar este processo, os investigadores combinaram análises de testemunhos de sedimentos com cartografia batimétrica de alta resolução, permitindo reconstruir cerca de 250 mil anos de acumulação de carbono em toda a província de montes de coral. Os resultados revelam taxas de acumulação de carbono entre três e nove vezes superiores às registadas nos sedimentos do fundo marinho envolvente. Extrapolando estes dados para toda a área cartografada, a equipa estima que a Província de Montes de Campeche armazene aproximadamente 18,5 milhões de toneladas de carbono, que ficarão retidas durante milhões de anos.
A cronologia dos sedimentos e as reconstruções paleoceanográficas desenvolvidos em trabalhos anteriores na Província de Montes de Campeche não só foram integrados nesta investigação, como foram determinantes para estabelecer o enquadramento temporal utilizado na quantificação da acumulação de carbono ao longo dos últimos 250 mil anos.
Por funcionarem como reservatórios de carbono a longo prazo, os recifes de coral de águas frias podem desempenhar um papel mais relevante no ciclo global do carbono do que se pensava anteriormente. Estes resultados reforçam a importância de continuar a investigar estes habitats vulneráveis e ainda pouco explorados, demonstrando igualmente o valor da colaboração científica internacional e da integração de dados e conhecimento (produzidos ao longo de vários anos) para aprofundar a compreensão do funcionamento dos ecossistemas marinhos e do seu papel na regulação do clima.
O estudo, "Large-scale carbon storage in the deep-sea through cold-water coral mounds off the Campeche Bank, Gulf of Mexico", foi publicado na revista científica Coral Reefs.




