No passado dia 7 de setembro, 26 cientistas partiram para a Expedição Oceano Azul Gorringe com o objetivo de aprofundar o conhecimento científico sobre o maior submarino da Europa Ocidental. Com 5.000 metros de altura e situado a cerca de 200km do Cabo de São Vicente, Algarve, a equipa pretende contribuir para a sua classificação como Área Marinha Protegida (AMP), apoiando assim a meta de Portugal de proteger 30% das áreas marinhas até 2030.
Entre os participantes estão 7 investigadores do CCMAR (Centro de Ciências do Mar), que desempenham um papel essencial no estudo e conservação deste ecossistema marinho, inclusivamente no mapeamento de habitats e avaliação da biodiversidade marinha.
Impacto e Contribuição para a Sociedade
A investigação no Gorringe é essencial não só para aumentar o conhecimento científico sobre esta área, mas também para apoiar a gestão sustentável do património natural de Portugal. "O nosso trabalho será um contributo muito válido para o conhecimento dos oceanos e, em particular, desta montanha submarina única", afirma Jorge Gonçalves. Os dados recolhidos permitirão ao governo português implementar um pano de gestão adequado para proteger os habitats e a biodiversidade do Gorringe, que faz parte da Rede Natura 2000, uma rede de áreas protegidas a nível europeu.
A expedição Oceano Azul Gorringe promete revelar novos segredos deste ecossistema subaquático, proporcionando uma base sólida para a proteção deste habitat natural. Além do relatório científico, será produzido um documentário que destacará as riquezas desta área, sensibilizando o público para a importância da sua preservação.
Investigadores do CCMAR e o seu Papel na Expedição
A expedição tem como meta responder a várias questões fundamentais sobre o ecossistema do Gorringe. "Como é que se distribuem os habitats em profundidade? Quais são as espécies endémicas e vulneráveis deste ecossistema? Quais são as prioridades de conservação? Qual é a extensão dos habitats prioritários?" Estas são algumas das perguntas que os nossos investigadores pretendem responder com os dados recolhidos.
Utilizando uma combinação de técnicas, que vão desde o mergulho científico à utilização de ROV’s para mapear habitats entre os 50 e 200 metros de profundidade, os cientistas esperam preencher as lacunas de conhecimento sobre este oásis oceânico.
Sob a liderança de Jorge Gonçalves, coordenador do mapeamento de habitats e do veículo operado remotamente (ROV), a equipa foca-se em documentar e analisar os ecossistemas existentes nas profundezas do Gorringe.
A equipa de Gonçalves inclui Luís Bentes, Pedro Monteiro e Frederico Oliveira, que colaboram no mapeamento de habitats prioritários para a conservação, como jardins de corais e florestas de algas.
No campo da biodiversidade, a Professora Estér Serrão, coordenadora das avaliações de biodiversidade através de mergulho científico, lidera os esforços para realizar levantamentos de espécies nas zonas mais superficiais do Gorringe. Serrão e a sua equipa, que inclui Márcio Coelho, recolhem imagens e amostras de organismos para análise taxonómica e genética". Pretende-se fazer um levantamento exaustivo das comunidades biológicas de fundo a nível taxonómico e genético, sobretudo de espécies sensíveis e ameaçadas", afirmam os investigadores.
Por sua vez, Magda Frade, co-coordenadora do estudo de aves marinhas, colabora com a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) para mapear a distribuição e abundância das aves que utilizam o Gorringe como ponto de paragem nas suas rotas migratórias.
A expedição, que decorre até ao dia 28 de setembro, é promovida pela Fundação Oceano Azul, Oceanário de Lisboa, Governo Português, ICNF e Marinha Portuguesa, com a colaboração de várias instituições científicas, como o CCMAR, Universidade do Algarve e Instituto Hidrográfico.