A Fundação Oceano Azul, o Oceanário de Lisboa e o Centro de Ciências do Mar, apoiados pelo ICNF, AMN e os Municípios de Albufeira, Lagoa, Portimão e Silves, arrancam no início de outubro com uma expedição científica única e multidisciplinar, dedicada à monitorização e gestão do Parque Natural Marinho do Recife do Algarve - Pedra do Valado.
A Pedra do Valado, localizada entre a Marina de Albufeira e o Farol de Alfanzina, é um dos maiores recifes costeiros de Portugal, com mais de 1000 espécies já documentadas. A área é utilizada para atividades essenciais, como a pesca artesanal e lúdica, além de impulsionar o turismo marítimo. Estima-se que suporte mais de 1.600 empregos diretos, com um impacto económico superior a 48 milhões de euros por ano.
Desde 2018, o CCMAR, a Fundação Oceano Azul, o ICNF e os Municípios de Albufeira, Lagoa e Silves, têm liderado o processo de criação da área protegida, promovendo a recolha de informação científica e a participação ativa de pescadores, autarquias, associações locais e cidadãos. Pela primeira vez no país, uma área marinha protegida foi construída com base num modelo de gestão colaborativa que integra utilizadores, gestores e comunidade.
Oficializado como parque marinho natural em janeiro de 2024, este espaço vê agora reforçado o compromisso de todos. “Queremos reforçar que o Parque Natural Marinho não deve existir apenas no papel, mas que deve funcionar, gerar conhecimento, proteger a biodiversidade e assegurar o futuro das comunidades locais. O envolvimento da comunidade e a excelência científica são a base desta missão”, afirma Diana Vieira, responsável na Fundação Oceano Azul pela Campanha Recife do Algarve e Gestora de Projetos.
De 28 de setembro a 1 de outubro, a Fundação Oceano Azul coordenará atividades de proximidade e literacia dos oceanos, incluindo ações de voluntariado e conversas abertas sobre ciência e conservação (Ocean Talks), num programa bastante completo e aberto a inscrições de escolas e comunidade local.].
De 2 a 8 de outubro, terá lugar a primeira grande campanha científica de monitorização do Parque Natural, coordenada pelo CCMAR a bordo do navio Santa Maria Manuela. Esta expedição dá continuidade ao trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos e tem dois objetivos centrais: gerar informação atualizada para orientar os próximos passos da conservação e devolver à comunidade um plano de gestão eficiente e concertado.
A missão envolve uma equipa multidisciplinar de investigadores, peritos em ecologia marinha, pescas, biodiversidade, oceanografia, tecnologia marinha e literacia dos oceanos. Entre as atividades previstas estão o mapeamento de habitats prioritários como gorgónias, pradarias marinhas, jardins de corais e bancos de algas calcárias (Maerl), a monitorização ambiental com recurso a câmaras subaquáticas, eDNA, acústica, observação de aves e mamíferos marinhos; e a utilização de plataformas tecnológicas inovadoras como ROVs, AUVs, drones e mergulho científico.
Os dados recolhidos vão apoiar diretamente a elaboração do plano de gestão do Parque, avaliar as mudanças na biodiversidade e nos usos humanos um ano após a sua criação e consolidar o modelo de gestão comunitária pioneiro em Portugal (AMPIC).
“O CCMAR vai mobilizar investigadores de diversas áreas para recolher dados essenciais que permitirão avaliar o atual estado do ecossistema e, ao mesmo tempo, orientar as medidas de gestão a implementar, para que esta área marinha seja verdadeiramente e eficazmente protegida”, partilha Jorge Gonçalves, investigador do CCMAR.
Esta expedição tem ainda o potencial de inspirar outros parques marinhos no país e contribuir para metas estratégicas como a “30x30” (proteger 30% do oceano até 2030), a Estratégia Nacional para o Mar e a Diretiva Europeia sobre Estratégia Marinha.
A Pedra do Valado, um hotspot de biodiversidade marinha ímpar, volta assim a estar no centro de uma missão que alia ciência, gestão e comunidade, na missão de monitorização contínua e na proteção do oceano.



